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Case 04 · Estudo de Caso · UX Writing · API
grande instituição financeira nacional · Conversational AI Designer · 2020/2022

Cartão de Crédito: a pergunta que não foi respondida

Uma análise de como um chatbot bem-intencionado falhou em responder a pergunta mais simples do cliente e três caminhos possíveis para resolver, com e sem integração de API.

Estudo de casoUX WritingCenáriosAPIJornada
Este é um estudo de caso: análise e proposta de melhoria, não uma implementação. Elementos ficcionalizados para proteger a confidencialidade: nome da empresa e detalhes do sistema. A análise e os cenários propostos são reais.
Estudo de caso: análise e proposta, não implementação
01: O problema

O cliente pediu um cartão de crédito e entrou no chatbot para saber quando ele chegaria. Recebeu a mesma resposta genérica que já tinha visto no app. Insatisfeito, ligou para a central, e o atendente humano disse exatamente a mesma coisa.

"O cliente perguntou quando chega o cartão. Não qual é o prazo padrão."

Essa diferença parece pequena. Não é. O atendimento humano tinha acesso à data exata do pedido e conseguia calcular um prazo personalizado. O chatbot não tinha, e entregou uma resposta genérica como se fosse suficiente.

02: A estratégia de análise

Antes de propor soluções, mapeei o que estava disponível e o que faltava. O atendimento humano conseguia calcular o prazo real porque tinha acesso à data de criação do pedido. O chatbot não tinha essa informação.

Com esse diagnóstico, propus três caminhos de solução, priorizados por nível de integração técnica e qualidade da experiência entregue.

03: Os três cenários propostos

Antes e depois

Cenário 1Com API completaMelhor experiência
API puxa data do pedido, cartão solicitado e data prevista de entrega em tempo real
Se estiver no prazo: informa a data exata e oferece link de rastreio da transportadora
Se estiver atrasado: API identifica o atraso e oferece cancelamento e emissão de novo cartão, sem precisar ligar
Seu cartão Mastercard Gold foi pedido em 12/01. A previsão de entrega é até 22/01. Rastreie a entrega aqui.
Cenário 2Com API parcialBoa experiência
API informa data e nome do cartão pedido, mas sem data de entrega em tempo real
Chatbot calcula o prazo a partir da data do pedido e informa uma data estimada
Se atrasado: cliente escolhe entre aguardar ou iniciar cancelamento via jornada guiada
Seu cartão foi pedido em 12/01. Considerando o prazo de 7 dias úteis, deve chegar até 22/01. Está fora do prazo?
Cenário 3Sem APIExperiência mínima
Sem acesso a dados do pedido, mas com resposta mais clara e útil do que a atual
Instrui o cliente a calcular o prazo com base na data do pedido, com exemplo prático
Se atrasado: direciona para especialista, cancelamento ou novo pedido, sem deixar o cliente preso
O prazo é de 7 dias úteis após o pedido. Ex: pedido na segunda, chega até a próxima quarta. Está fora do prazo?
04: O que esse estudo revela
Por que responder a pergunta certa importa mais que responder corretamente?
A resposta estava tecnicamente correta. O prazo é de 7 a 10 dias úteis. Mas não respondeu a pergunta do cliente. Ele perguntou quando chega o cartão dele, não qual é o prazo padrão. Essa diferença, ignorada no design, gerou uma ligação desnecessária e uma experiência de baixa qualidade.
Por que propor três cenários e não só o ideal?
A melhor experiência possível nem sempre é a mais viável agora. Propor três caminhos permite que o time de produto escolha o que é executável no ciclo atual sem deixar a experiência no estado ruim que estava. Mesmo sem API, dá para entregar algo muito melhor.
O que diferencia esse estudo de uma sugestão comum de melhoria?
O estudo parte de uma análise de gap: o que o atendimento humano fazia que o chatbot não fazia. E propõe soluções graduadas por esforço técnico. Não é só dizer que a resposta deveria ser melhor. É apresentar três formas de melhorar, com diferentes níveis de integração e o impacto de cada uma.
05: O aprendizado

Um chatbot que responde a pergunta errada de forma correta ainda é um chatbot que falhou. A pergunta do cliente é o ponto de partida, não o fluxo, não o prazo padrão, não a política da empresa.

Samantha Barreto